Homens VS sapatos

Com quem tem a mulher a melhor hipótese de ter uma relação feliz? Com um homem ou um sapato? Não me parece que seja uma competição cerrada. Uma sondagem concluiu que na realidade as mulheres não encontram nos homens grande uso. E todos nós sabemos do amor ou obsessão das mulheres quanto a sapatos, certo? Algumas das minhas amigas dizem amargamente que os homens efetivamente não servem para nada. Okay, todas nós estamos na casa dos trinta e tantas décadas trazem com certeza já acopladas umas quantas tragédias gregas às nossas vidas. Mas calma, eu até acredito que elas possam estar erradas: ainda precisamos dos homens para nos livrarmos das aranhas. De acordo com uma pesquisa, na minha opinião, não confiável em que entrevistaram mil adultos, espero que mentalmente equilibrados, e sendo que às minhas amigas nada foi perguntado, 60 por cento das mulheres da sondagem afirmaram que os homens eram bons a livrarem-se de aranhas. Uma vez que existem onze ordens de aracnídeos, e estas incluem os escorpiões, ácaros e carrapatos, pseudoescorpiões, escorpiões chicote, e finalmente, aranhas; o fato de que os homens são úteis para matar as aranhas não é assim um grande feito, não é? E nós mulheres também podemos fazê-lo, com o sapato certo. Até agora, e sobre aranhas, temos um empate: sapatos 1-1 homens. Além disso, 50 por cento das mulheres desta investigação, na minha opinião inútil, foram apontadas as altas habilidades dos homens para fazer churrasco, e 70 por cento disseram que os homens são super vantajosos quando se trata de mudar um pneu. Eu entendo isso completamente; quero dizer: se alguém sabe como grelhar são os homens; um sapato sozinho, ou até mesmo um par de sapatos, não conseguiria grelhar o meu bife mal passado ou consertar o meu computador ou pendurar um quadro pesado direitinho na parede ou ir tão longe como conseguir trocar o pneu de um carro. As mulheres podem fazer isso tudo se quiserem e com sapatos nos pés, mas os sapatos não podem fazer isso sozinhos por elas. Os homens visivelmente vencem aqui. Montar aquele armário do IKEA é uma dor de cabeça também, mas alguém tem de o fazer. E esse alguém é o homem, e não o sapato. Quanto às bebidas alcoólicas, mais da metade das mulheres salientaram a grande capacidade dos homens têm para beber muito. Na minha opinião, estamos aqui mais bem servidas com um sapato, que não come tanto, e o mais importante não bebe, nem tanto nem de todo. É isso exatamente que estou a dizer: um sapato não fica bêbado, nem coloca a culpa toda nas bebidas extra para justificar estupidamente aquele caso ocasional com aquela rapariga-do-grande-par-de-mamas cujo nome ele nunca se conseguiu lembrar, pois não foi significativo para ele, diz ele. A verdade é que eu nunca vi um sapato bêbado. Eles calçam pessoas bêbadas, sim, mas eles não se conseguem embebedar. E isso é uma grande vantagem numa relação íntima. Por outro lado, há muito pouco espaço para romance entre uma mulher e o seu sapato. Uma mulher pode beijar o sapato, mas o sapato não a pode beijar de volta. E este é um grande contra. A coisa boa é que um sapato também não tem a boca suja. Mesmo que ande na lama. Na verdade, e não vos querendo chocar, um sapato não tem boca. Claro que não, é um sapato pá! Bem, o que quero dizer é que um sapato é mil vezes mais educado do que os homens alguma dia serão. Talvez este seja um mau exemplo, mas o personagem de Joe Pesci num dos filmes da Máquina Mortífera, desabafa durante um minuto sobre telemóveis numa desfile de asneiras que só chega ao fim porque precisou de respirar. Isso definitivamente não é elegante. Ora eu nunca vi um sapato a disparatar assim. As mulheres são também emocionalmente mais expressivas do que os homens, e para um relacionamento íntimo, uma boa comunicação é útil, certo? Às vezes, tentar explicar algo a um homem pode ser tão frustrante como falar com um par de sapatos. E um sapato nunca vai chamar nomes a uma mulher ou dar-lhe uma resposta torta. O sapato é o novo cavalheiro. Ele protege os meus pés contra o frio, está sempre comigo na sujeira e nas poças, e quando é necessário aquece-me os s pés. É verdade que só um homem pode tirar o casaco e jogá-lo cavalheirescamente sobre uma poça para que a senhora continue o seu caminho, mas já viu algo assim a acontecer nos dias de hoje? Bem, eu sei que é um completamente estúpido e imagine-se o custo de detergente a cada inverno? A senhora mimada e o homem gentil poderiam facilmente ter evitado juntos a poça. Uma questão de um desvio de centímetros. Não estamos a falar de quilómetros. De qualquer forma, muito mais seguro e mais inteligente é ter os sapatos certos sempre, e não depender de nenhum homem. E vamos ter em mente que alguns homens gostam de empurrar as mulheres para a poça de lama, em outras palavras: para baixo. Se ela for diminuída, eles parecem mais altos. Claro que os homens não são todos assim, mas o sapato nunca nos faz isso, certo? Ao contrário, o sapato faz a mulher parecer mais alta. Mesmo que seja sem salto alto, ela fica sempre mais alta do que se estivesse descalça. Além disso, quando se trata de uma possível cena de violência doméstica uma mulher está sempre melhor se estiver num relacionamento com um sapato. Um sapato nunca a vai agarrar e jogá-la contra a parede. E ela pode sempre atirar o sapato contra a parede. Mas porque é que tem  de atirar o sapato contra uma parede? É verdade que o sapato não vai nos ajudar mulheres em algumas coisas que os homens poderiam, como com mapas ou a matemática, por exemplo, mas não precisamos de ser violentos. É apenas um sapato, pá! Okay, o sapato em vez de ajudar vai perder-se uma e outra vez junto com a mulher, uma vez que os pés são controlados pelo cérebro desorientado da mulher. Um homem pode facilmente adicionar e subtrair, dividir e multiplicar; e um sapato não pode. Eu só espero que as minhas palavras impensadas sirvam como um despertar rude para os milhões e milhões de homens que estão a cada dia são mais inúteis. Tenham cuidado, rapazes: nós precisamos de super-homens e não de homens. E a concorrência é forte: todos os dias os sapatos estão a ficar melhor e melhor. Hoje em dia não querem apenas ter uma boa aparência. Eles querem ser reforçados, imbatíveis, e insubstituíveis. Há o sapato tonificante para melhorar a força muscular e tónus, o equilíbrio, melhorar a postura, queimar mais calorias, aliviar o stresse nas articulações e até mesmo eliminar as dores nas costas, no pé ou na perna. Qual é o homem que faz tudo isso ao mesmo tempo? Também há os ténis de desporto ou de corrida que não só fornecem substancial amortecimento na sola, como também oferecem suporte para o arco, ajudam na prevenção de lesões e podem promover a melhoria do desempenho atlético. E embora seja verdade que podemos simplesmente ir correr com o namorado e mante-lo a correr à nossa frente para nos motivar a correr ainda mais rápido e, portanto, queimar mais calorias, e, embora seja inegável que a maioria dos homens de bom grado empurrariam qualquer mulher para ajudá-la a aumentar a velocidade, isso não acontece com muita frequência. Assim, os sapatos ainda são uma aposta melhor; e estes são apenas dois exemplos fáceis. Escolher os sapatos certos é muito importante para o corpo e para a saúde em geral. Não deve ser apenas um sapato bonito. Assim como se nós escolhermos um homem que é apenas um rostinho bonito, as duas coisas não irão muito longe. Precisamos que, tanto o homem como o sapato, sejam o nosso par perfeito. E para que isso aconteça é necessário muito mais do que só beleza. Todos os anos, a população feminina perde 44 milhões de dias de trabalho devido à dor causada pelos sapatos errados. E quanto tempo é desperdiçado com os homens errados? A relação das mulheres com os sapatos tem tudo para ser longa e não correm sequer o risco serem traídas ou deixadas. Um bom par pode durar longos anos, e podem até acompanhar a mulher ao seu último endereço na terra, mesmo se ela não tomar muito cuidado com eles e, acreditem que não é fácil estar num relacionamento com uma mulher: nem para os homens nem para os sapatos. De certeza, pelo menos uma vez por mês. Mas como eu disse, se os homens ainda querem as mulheres, cuidado rapazes: as mulheres amam sapatos e eles são os vossos rivais mais fortes. É mais provável que um homem seja deixado para um sapato do que para outro homem. A cada dia que passa precisamos menos dos homens. Eu li no outro dia no jornal Daily Mail que especialistas em fertilidade do Instituto de Medicina Reprodutiva e Genética em Los Angeles encontraram já uma maneira das mulheres terem bebés sem a ajuda dos homens. Isso significa que todas as crianças nascidas a partir deste processo seriam meninas e geneticamente idênticas à sua mãe. Assustador ou não, e levado ao extremo, isso poderia levar a uma sociedade dominada pelas mulheres, onde os homens têm pouca ou nenhuma importância: apenas as mulheres e seus sapatos. Bem, a Cinderela é a prova de que um par de sapatos pode mudar a vida de uma mulher. Okay, eu posso concordar, talvez, apenas talvez, um bocadinho que se calhar a vida dela ter mudado pode eventualmente estar relacionado com o homem que ela conheceu e que lhe devolveu o dito sapato. Não devemos ser peremptórios, eu sei, até porque eu sei por experiência própria que mesmo o ajuste perfeito pode doer muito às vezes, não importa se é de um homem ou de um sapato que estamos a falar. É tudo uma questão de aclimatação. E esse acerto pode causar desconforto, bolhas e dor. Mas, se há amor e vontade, há um caminho para ser percorridos juntos: para o homem e para os sapatos. No entanto e se calhar teimosamente, vejo um futuro mais seguro num relacionamento com um par de sapatos. Eles são mais confiáveis ​​e estar com a mulher é tudo o que lhes interessa. Já alguma vez ouviu em sapatos viciados no trabalho? Já apanhou algum sapato a mentir ou a enganar, a trair? Claro que não, é um sapato, pá! Bem, como se pode facilmente deduzir, entre homens, mulheres e sapatos, os viciados em trabalho são principalmente homens. Um estudo mostra que mais de 80 por cento das pessoas que trabalham 50 horas por semana são homens. E nós não podemos saber ao certo se eles estão a trabalhar ou não. Temos apenas de confiar. Mas sabemos exatamente o que o sapato está a fazer e com quem está: nós. Um sapato está com a sua mulher, literalmente, a cada passo que ela dá. Um sapato nunca nos vai deixar adormecer sozinhas, se nós não quisermos. Os sapatos estarão sempre lá no nosso armário ou ao lado da nossa cama ou na entrada ou nos nossos pés, bem calçadinhos, se assim o desejarmos. Um sapato nunca nos vai ligar tarde do trabalho a dizer que o projeto ainda está a meio e que vai ter de ficar a trabalhar até altas horas da noite. Um sapato nunca nos vai enganar. Nunca vai usar a desculpa do ginásio como álibi para o seu caso, ou uma noite nos copos com os amigos que acaba por ser uma noite com outra mulher. O sapato nunca aquecerá outro par de pés, a menos que nós os emprestemos. E eu não gosto de partilhar nada: só comida, porque, quanto mais eu partilho menos peso ganho. E o par de sapatos nunca vai estar cansado depois do trabalho. Correriam todas as lojas do Colombo, duas e três vezes, sem fazer um som de reclamação. E mesmo se um dia ela demorar horas a arranjar-se, e acabar por sair de casa à meia-noite, à última hora o seu par de sapatos não vai ser sonolento, ou a ver um jogo, ou de mau humor. O seu par de sapatos vai estar ali pronto à espera dela. As minhas amigas queixam-se muito, principalmente sobre os homens, mas realmente muito. No topo das queixas que eu mencionei aqui, e não pretendi que fosse uma lista exaustiva de prós e contras sobre homens e sapatos, ontem à noite elas acrescentaram o facto de que a maioria dos seus parceiros não sabe dançar. Bem, mais uma vez, e previsivelmente, torço pelos sapatos, agitando os meus pompons vermelhos de torcida, e não que tenhamos um clube de Abaixo os Homens ou qualquer coisa do género, mas a verdade é que o sapato nunca nos vai pisar enquanto dançamos. Então os sapatos acabam por ganhar vantagem também aqui. No entanto, dançam, mas a mulher não pode reproduzir com eles, e assim, por agora, o homem ainda é a fonte mais prazerosa de fazer bebés que me ocorre neste momento. No final de tudo, eu acho que, cada mulher é uma mulher, cada homem é um estudo de caso, e cada sapato está na sua própria caixa de sapatos. Cada mulher é a única pessoa e só ela é que pode e deve decidir o que se encaixa melhor para ela. Eu já decidi. E não estou a dizer que é certo ou justo ou correto, mas funciona muito melhor para mim estar numa relação com um sapato. E nós somos a combinação perfeita. Além disso, eu tenho certeza de que os meus sapatos nunca me iriam deixar por outro par mais novo de pés, mesmo se fossem de um par maior do que o meu.

Mulher: o maior insulto

Desde quando ser mulher é uma coisa má? Não sei, mas é. Se reparar nos rapazes que jogam à bola na rua, uma coisa que costumava acontecer antes dos telemóveis inteligentes e do jogos online surgirem, vai ouvir frequentemente frases como “Atiras a bola como uma menina”. Sim, é verdade: estudos feitos pela Universidade do Texas confirmam que a maioria dos rapazes são melhores a atirar bolas do que as raparigas. Mas isso é razão para denegrirmos as mulheres o tempo todo? Okay, rodamos as ancas e os ombros ao mesmo tempo, o que faz com que a bola não vá tão longe, e daí? Somos melhores noutras coisas, e não andamos por aí a difamar os homens. Não dizemos a uma mulher que cozinha mal “Cozinhas como um homem.” Simplesmente não fazemos isso. Ou não admito porque não me é conveniente agora. Qual é o pior insulto para as mulheres? Puta, cabra, fácil. Pense nisto enquanto eu vou lavar a boca com sabão. E a pior coisa que pode chamar a um homem? Maricas, puta ou menina. Então, sabão à parte, insultamos mulheres e homens da mesma maneira: chamando-os de meninas. Ser demasiado menina é mau para os dois géneros. Mulher é o insulto final. Ninguém tem mães aqui? É provável que se elogie uma mulher que conduza bem, dizendo “Conduz como um homem”, e mais provável ainda será ofender-se o homem que “conduz como uma mulher”. Porque é que ser homem é uma coisa boa e ser mulher uma coisa má? Que mundo tão bonito este o dos homens. Se um homem é seguro de si, é seguro de si. Se uma mulher é segura de si, é uma cabra arrogante; se um homem sobe às árvores é ativo e ágil, se a mulher sobe às árvores é maria-rapaz ou é lésbica; se um homem tem muitas parceiras sexuais é experiente, se a mulher os tem é puta. Até algumas das mulheres pensam isso e cospem esses preconceitos cá para fora. Homens insultam as mulheres e nós ajudamo-los. Ninguém escolhe o seu género à nascença, mas se pudéssemos optar, acho que a maioria de nós iria preferir ser homem. E isso está errado. A esta altura do campeonato com os números de violência contra as mulheres a aumentar, a loucura do controle da natalidade, e a disparidade salarial entre homens e mulheres que ocupam o mesmo cargo, obviamente ganhando as mulheres muito menos só porque não fazem xixi de pé, eu pergunto-me se precisamos mesmo dessa cereja em cima do bolo que é o de vermos o nosso género a ser usado como insulto? Qual é a mensagem? Se é mulher, esteja preparada para falhar? Se é mãe e está em casa com os filhos, então é um ser inútil e está a viver às custas do seu marido, sua cabra. Se é mãe e tem uma carreira, então obviamente não é uma boa mãe, sua cabra. Quando é que merecemos uma pequenina palavra de elogio? Quando nos tornarmos homens. E as pessoas estranham porque, em geral, os homens parecem mais confortáveis na sua pele, com o seu peso e sentem menos pressão para serem magros, do que as mulheres. Uma barriga proeminente num corpo masculino é sinal de sucesso, é a tal “barriguinha de sucesso”, enquanto que uma barriga no corpo de uma mulher é apenas gordura, não há cá sucesso nenhum para ela, gorda! Na verdade é uma falhada: os homens não a vão querer, vai acabar sozinha aconchegada a uma caixa de chocolates e em vez de dar nomes a filhos, vai dar nomes a gatos. Também é por isso que a anorexia nervosa é mais prevalente entre adolescentes do sexo feminino do que do sexo masculino. O mundo está infestado de modelos nas revistas e na TV, fotos nuas de mulheres com corpos perfeitos e que faz com que as mulheres como eu nos vejamos como mulheres inferiores, mais feias ou com excesso de peso. Eu estou com excesso de um quilo, e menos peito do que aquela loira do anúncio cujo peito foi aumentado pelo Pedro, mestre do Photoshop. E por causa disto tudo, algumas mulheres maltratam-se a elas mesmas para ficarem finas e elegantes como as mulheres das publicidades. Mas nem toda a gente pode ser Barbie, que hoje já tem 55 anos e ainda é bela e fina, e por isso a infelicidade, insegurança e os distúrbios alimentares são o resultado comum. Em dez anos, veremos também as nossas avós anorécticas porque os nossos avós ainda sonham com Barbies. Ser mulher é difícil e devia ser elogiado; não insultado. Eu corro como uma mulher, eu choro como uma mulher, eu luto como uma mulher, eu bebo água como uma mulher. E isso deve significar apenas uma coisa: que eu sou uma mulher.