Mulher: o maior insulto

Desde quando ser mulher é uma coisa má? Não sei, mas é. Se reparar nos rapazes que jogam à bola na rua, uma coisa que costumava acontecer antes dos telemóveis inteligentes e do jogos online surgirem, vai ouvir frequentemente frases como “Atiras a bola como uma menina”. Sim, é verdade: estudos feitos pela Universidade do Texas confirmam que a maioria dos rapazes são melhores a atirar bolas do que as raparigas. Mas isso é razão para denegrirmos as mulheres o tempo todo? Okay, rodamos as ancas e os ombros ao mesmo tempo, o que faz com que a bola não vá tão longe, e daí? Somos melhores noutras coisas, e não andamos por aí a difamar os homens. Não dizemos a uma mulher que cozinha mal “Cozinhas como um homem.” Simplesmente não fazemos isso. Ou não admito porque não me é conveniente agora. Qual é o pior insulto para as mulheres? Puta, cabra, fácil. Pense nisto enquanto eu vou lavar a boca com sabão. E a pior coisa que pode chamar a um homem? Maricas, puta ou menina. Então, sabão à parte, insultamos mulheres e homens da mesma maneira: chamando-os de meninas. Ser demasiado menina é mau para os dois géneros. Mulher é o insulto final. Ninguém tem mães aqui? É provável que se elogie uma mulher que conduza bem, dizendo “Conduz como um homem”, e mais provável ainda será ofender-se o homem que “conduz como uma mulher”. Porque é que ser homem é uma coisa boa e ser mulher uma coisa má? Que mundo tão bonito este o dos homens. Se um homem é seguro de si, é seguro de si. Se uma mulher é segura de si, é uma cabra arrogante; se um homem sobe às árvores é ativo e ágil, se a mulher sobe às árvores é maria-rapaz ou é lésbica; se um homem tem muitas parceiras sexuais é experiente, se a mulher os tem é puta. Até algumas das mulheres pensam isso e cospem esses preconceitos cá para fora. Homens insultam as mulheres e nós ajudamo-los. Ninguém escolhe o seu género à nascença, mas se pudéssemos optar, acho que a maioria de nós iria preferir ser homem. E isso está errado. A esta altura do campeonato com os números de violência contra as mulheres a aumentar, a loucura do controle da natalidade, e a disparidade salarial entre homens e mulheres que ocupam o mesmo cargo, obviamente ganhando as mulheres muito menos só porque não fazem xixi de pé, eu pergunto-me se precisamos mesmo dessa cereja em cima do bolo que é o de vermos o nosso género a ser usado como insulto? Qual é a mensagem? Se é mulher, esteja preparada para falhar? Se é mãe e está em casa com os filhos, então é um ser inútil e está a viver às custas do seu marido, sua cabra. Se é mãe e tem uma carreira, então obviamente não é uma boa mãe, sua cabra. Quando é que merecemos uma pequenina palavra de elogio? Quando nos tornarmos homens. E as pessoas estranham porque, em geral, os homens parecem mais confortáveis na sua pele, com o seu peso e sentem menos pressão para serem magros, do que as mulheres. Uma barriga proeminente num corpo masculino é sinal de sucesso, é a tal “barriguinha de sucesso”, enquanto que uma barriga no corpo de uma mulher é apenas gordura, não há cá sucesso nenhum para ela, gorda! Na verdade é uma falhada: os homens não a vão querer, vai acabar sozinha aconchegada a uma caixa de chocolates e em vez de dar nomes a filhos, vai dar nomes a gatos. Também é por isso que a anorexia nervosa é mais prevalente entre adolescentes do sexo feminino do que do sexo masculino. O mundo está infestado de modelos nas revistas e na TV, fotos nuas de mulheres com corpos perfeitos e que faz com que as mulheres como eu nos vejamos como mulheres inferiores, mais feias ou com excesso de peso. Eu estou com excesso de um quilo, e menos peito do que aquela loira do anúncio cujo peito foi aumentado pelo Pedro, mestre do Photoshop. E por causa disto tudo, algumas mulheres maltratam-se a elas mesmas para ficarem finas e elegantes como as mulheres das publicidades. Mas nem toda a gente pode ser Barbie, que hoje já tem 55 anos e ainda é bela e fina, e por isso a infelicidade, insegurança e os distúrbios alimentares são o resultado comum. Em dez anos, veremos também as nossas avós anorécticas porque os nossos avós ainda sonham com Barbies. Ser mulher é difícil e devia ser elogiado; não insultado. Eu corro como uma mulher, eu choro como uma mulher, eu luto como uma mulher, eu bebo água como uma mulher. E isso deve significar apenas uma coisa: que eu sou uma mulher.