10 Things You Didn’t Know About Table Mountain

1. One of the New 7 Wonders is the World, at over 260 million years old, Table Mountain is older than the Andes, the Alps, the Rocky Mountains and the Himalayas. The Alps are a relatively youthful 40-million years old.

2. Its highest point is Maclear’s Beacon, which is 1085 meters above sea level. That being said, much like some of your ex-partners ego, Table Mountain is still growing. The mountain is often covered in cloud which is known as the ‘Table Cloth’ – the cloud formation that develops over the top of the table mountain because of the forced lifting of air by the earth’s topography.

3. In 1998, former president Nelson Mandela said that Table Mountain was a gift from the Earth. Pretty much what my mom said about me when I was born.

4. A total of 4.2 million people visit it each year, and at least two people get married on Table Mountain every month. It is one of the most photographed places in the world.

5. World famous figures such as Oprah Winfrey, Arnold Schwarzenegger, Margaret Thatcher, Michael Schumacher, Tina Turner, and Sofia Vila Nova have all visited the iconic mark. You still don’t know who this last one is? Follow her on Instagram: @Anasufiavn.

6. For the fit and crazy, there are more than 350 hiking trails or routes available which take between one to three hours to reach the top. The Table Mountain National Park contains also approximately 160km of cycling track. Access is gained via day permits or annual activity permits. But you need to double check this, because I took the cable car. It carries around 65 people at one time now; in 1929 could only allocate 25. It is a scenic view!

7. The Cape of Good Hope section of the Table Mountain National Park is a haven for outdoor enthusiasts and offers besides the hiking and cycling already mentioned, also surfing, angling, picnicking, and beaching opportunities against the breathtaking backdrop of the mountains and coastline of the Cape Peninsula.

8. Animals to be found on the mountain include a Dassie. People say it looks like a guinea pig however to me it really looks just like a big rat. I have seen it with my own two eyes that this Earth will devour (a weird Portuguese idiomatic expression, sorry!)

9. Hoerikwaggo (Mountain in the Sea) is the original name given to the mountain chain by the indigenous Khoisan people of the Cape.

10. There is a lake in the Cape of Good Hope that has no rivers that lead into it: It is kept full only by underground water.

Sorry, but what are you still doing reading this post? Go book your flight, right now. And happy travels. ❤️

Os Beatles de Zanzibar

Os Beatles de Zanzibar

Se parece que lhes pedi para pousar para a foto, de maneira a que lembrasse a capa do CD dos Beatles, não foi bem assim. As crianças de Zanzibar são livres de movimento e a mim agrada-me o desafio de tirar as fotografias do momento, sem que ninguém disso se aperceba, para que não haja nelas um menor toque de falsidade.
Em Novembro, apanhei o avião da Emirates de Gatwick para o Dubai, no dia seguinte o voo da Etihad de Abu Dhabi para Dar Es Salaam, e depois de umas horas de espera naquele pequenino aeroporto onde a única coisa segura de ser ingerida era um chocolate raquítico, lá fui eu para Zanzibar num Cessna. Sentei-me à frente ao lado do piloto no caso de ele precisar de ajuda para aterrar.
Ao sobrevoar Dar Es Salaam reparei, como é de se esperar, que não se avistava um prédio, nem daqueles pequenos, as casas não tinham mais que um ou dois pisos, sempre em tons brancos e cinzentos. E muitas casas não tinham sequer tecto. Não era ainda a África que eu esperava. Demasiado cinzenta, e cheia da pó.

Ao aterrar em Zanzibar, a vista foi tão poderosa que senti quase que a imagem da terra e das águas me invadia os olhos, os dilatava e acabava por fazer transbordar; cheios de praias infindáveis de águas tão azuis e transparentes, de areia tão branca e arenosa.
A viagem até ao meu hotel em Jambiani deu-se em estradas de terra rodeadas de verde por toda a parte. A terra era castanha-vermelha. Ainda me lembro do cheiro da chuva forte e quente e rápida na terra molhada. As roupas e os panos que as mulheres usavam na cabeça tão coloridos. Uns quantos bebés às costas, enroladinhos em panos alegres, e duas ou três crianças empoleiradas numa só bicicleta. Não há de certeza nenhum luxo, ainda que muitos deles tenham smartphones, muito pelo contrário, e a vida nas aldeias pelas que passei é bem simples, mas parecem todos felizes.
Todos os caminhos de terra são feitos de altos e buracos, veteranos sejam os carros e os seus pneus furados. Quem tem televisão, coloca-a fora do casebre e ajeita um ou dois sofás, para partilhar com os vizinhos o programa da noite, no único canal que a antena apanha, vizinhos esses que trazem mais umas cadeiras de madeira ou de plástico. Drive-in cinema em jeito de África. E quem menos tem, é quem mais sabe partilhar. Bem-vinda a África, pensei. Zanzibar tem tanta praias com areais extensos, palmeirais, águas azuis-turquesa, que difícil foi saber onde ficar.
As mais bonitas talvez sejam as praias de Pongwe, Paje, Kendwa, Matemwe e Jambiani. Fiquei hospedada no RedMonkey Lodge, no extremo sul de Jambiani. A próxima fotografia é a vista do restaurante do lodge. O areal é vasto e logo pela manhã as crianças brincavam à bola ou simplesmente corriam livres umas atrás das outras.
Um dos meus restaurantes preferidos chama-se The Rock e fica na praia de Pingwe. Como o nome indica, é um restaurante construído num recife de coral, a imagem de marca de Zanzibar. No topo de um rochedo, o restaurante pequeno e pitoresco está envolto pela água na maré alta. Da lambreta estacionada até às escadas do restaurante foi uma viagem de 2 minutos a pé e 30 segundos de barco. Mas se tivesse sido muito mais longa também teria valido a pena.
Já a cidade velha de Zanzibar, é a mistura perfeita de África com a Arábia. É notória a influência árabe na chamada Cidade de Pedra, Stone Town ou MjiMkongwe na língua suaíli, o núcleo central da atual cidade de Zanzibar, localizada na costa oeste de Unguja, a principal ilha do arquipélago, parte da República da Tanzânia, na África oriental. Situados?
Nos últimos 200 anos a cidade quase que não mudou, conservou as ruelas sinuosas, os bazares movimentados, as mesquitas e as grandes casas árabes cujos proprietários originais competiam uns com os outros pela maior extravagância. Património mundial da UNESCO, a Cidade de Pedra foi visitada por duas pessoas muito importantes: Vasco da Gama em 1499 e eu em 2016. Tanto ele como eu, ficámos tão impressionados com a cultura e a beleza do lugar e todas as suas potencialidades, que quisemos voltar. No entanto, a influência portuguesa era limitada e chegou ao fim no final do século XVII, e agora só lá podemos ir visitar.
O nosso papel comercial foi tomado pelos árabes de Omã, lidando em cereais, peixe seco, marfim e escravos. O terceiro componente arquitectónico veio da Índia, com os comerciantes indianos a comprarem casas Omani e a adicionarem varandas e um piso superior com quartos, sendo que as atividades comerciais se davam no piso inferior. Em 1890 chegaram os britânicos, sempre por último, e a monopolizarem tudo que já tinha sido trabalhado por outros antes. O último a rir, ri melhor.
E se por algo é famosa a cidade, uma das razões são as portas que adornam as casas históricas. São magnificamente esculpidas e estão espalhadas por toda a cidade velha. Infelizmente, essa prosperidade vem dos tempos do triste mas lucrativo comércio de escravos. Entre 1450 e 1860 milhões de africanos foram escravizados, transportados e vendidos em Zanzibar. Quando abolida a escravatura, a riqueza desapareceu com ela, sendo estas portas de Zanzibar um dos poucos testemunhos desse tempo colonial, agora também elas definhadas.
Se gosta de mercados, o Darajani Bazaar é memorável. Impregnado de cores e cheiro a peixe, que a mim não me incomoda, vende-se lá um pouco de tudo: carne, especiarias, legumes, frutas, peixe, bonecos de plásticos da china, colares, doces, sapatos e roupas, e quanto mais comprar melhor é o desconto, isto se souber regatear. Há quem esteja interessado demais em vender, e torna-se agressivo e há os que nem repararam que eu queria comprar. A maior parte deles são simpáticos e gostam de saber de onde vimos.
Uns afastam as moscas com jornais enrolados, outros dormem com moscas a pousar-lhes no nariz. O mercado é uma explosão de cores, cheiros e sons, tipicamente africano, confuso e interessante.
O mesmo vendedor de especiarias, expostas num barco de madeira, perguntou-me quatro vezes, em quatro locais diferentes, se eu as queria comprar. E quando eu dizia que não e agradecia, dizendo asante sana, ele respondia que não havia problema, akuna matata, e seguia caminho. Se quiser experimentar um peixe da zona, o mais popular em Zanzibar é o changuu, muito saboroso. E se estiver de manhã no mercado pode observar os locais entretidos e entusiasmados com o leilão de peixe, e quem sabe tentar participar.
Já que está na Stone Town, vale a pena seguir a viagem de 20 minutos de barco até à Prison Island, local que foi usado como quarentena para doentes com febre amarela e que hoje é um hotel de luxo e casa de uma colónia de tartarugas gigantes e centenárias. Se quiser, pode dar-lhes também folhas e galhos que comem tudo com lentidão e agrado. A mais velha tinha 189 anos e já parecia estar um bocado farta. Depois da visita guiada às tartarugas, aproveitei para antes de voltar de barco, fazer um pouco de snorkeling porque os corais à volta da ilha, cheios de estrelas do mar e outras maravilhas, sem dúvida que convidam.
Em menos de 7 dias, apaixonei-me completamente pela alegria contagiante das crianças, pela simpatia e simplicidade do povo, pelas ruelas histórias da cidade de pedra, pelos bazares coloridos de cheiros intensos. Perdi-me de amores pelas águas transparentes e mornas, pelo cheiro da terra vermelha molhada, pelos raios de sol bem cedo e pela chuva que não molha. Apaixonei-me silenciosamente pelo som ensurdecedor das ondas a quebrar na areia. E pelos olhares tão profundos das tuas crianças, Zanzibar: Nakupenda.