Os dias imperfeitos agora são os meus eleitos, a tua perfeição não era mais q’um gesto feito, devia ter percebido ninguém é tão perfeito, demorou e enrolou mas explodiu o defeito, levavas-me prá cama e eu ficava dormente, mas parei de sonhar quero um bom presente, quero um homem completo que me ame por dentro, o jogo meu querido nunca foi suficiente, por enquanto há um vazio ao meu lado no leito, é melhor do que viver com uma faca no peito, eu ainda acredito num príncipe encantado mas até agora só passaram uns sapos molhados, diz-me lá se o meu pé não dava pró teu sapato, estou cansada de tentar sempre o mesmo par errado, és um puto grande puto que só pensa no jogo, veste e despe o avatar mas não apaga o meu fogo, colocaste-me num bote em pleno meio-dia, eu senti-me abandonada totalmente sozinha, com os meus olhos nos teus olhos eu perdi-me de vista, e o vento que senti foi a minha companhia, a tua voz não era mais do que um eco da minha, e o pensamento estava cheio de erva daninha, virtual irreal e eu bem longe da mira, fizeste da nossa vida uma grande mentira, não chores não telefones vou dizer-te que não, agora não adianta passares a tua mão, é tarde o mal está feito e o leite derramou, não chegaste a tempo e a galinha já queimou, decidi dizer adeus nem sequer ‘tás na estante, tinha de acabar com isto estava a ser atrofiante, já não era estimulante era pura perda de tempo e a dor já era grande como uma grande dor de dente, não sabes tu que a vida não é um Halo qualquer, deixa o poker e os tiros e faz feliz a mulher, não ouviste o que te disse nem o que te pedia, perdeste este jogo e não tens mais uma vida, game over.

Desde que eu me lembro a vida passa a correr, mais que tudo isso é uma corrida p’ra morrer, diz-me tu se a contagem do meu aniversário, são os anos que já fiz ou os que me faltam fazer, eu sei que é difícil viveres só no presente, tens de aprender a deixar ir o que temes perder, nada é realmente teu nem a vida te pertence, até a alma neste corpo é um estado latente, lamentares-te com tudo é típico do mundo, desculpares-te com a idade é puro teu refúgio, o que interessa é o que fazes ao longo do tempo, mais vale 30 bem passados do que 80 anos de vento, antes dos 18 não podia sequer pegar no carro, vê lá se isso me impediu de pôr nos lábios um cigarro, aos 50 ouvi dizer que chega a tal da menopausa, mas já te disse que no sexo eu não faço pausa,  eu não sou um iogurte com prazo de validade, nem tão pouco uma foto num cartão d’identidade, não me digas que vou tarde tu não sabes pr’onde vou, sei que se não for agora a oportunidade voou, do modo como falas fala um atum enlatado, vives a vida preso a regras para mim estás entalado, se te conto dos meus planos dizes p’ra eu ter cuidado, não subas assim tão alto tu já foste magoado, mas eu corro e vivo a 100 porque morrer é estar parado, não me chames de falhado essa frase dá-me asco, para mim já falhou quem nunca sequer tentou, sou um cavalo alado eu não me fico neste pasto, para ti é sempre tarde mas depois não mexes palha, dizes que vivo pelo risco diz antes que eu arrisco, és uma ovelha no rebanho mas recusas-te a ver, fiz só ontem 30 anos diz-me lá estou a morrer?

Na Áustria o Natal passa rápido é schnell, dá-se só uma prenda mas atenção é Chanel, o ritmo de vida é acelerado apressado, mas há sempre tempo livre para o namorado, se precisas de gelado vais ao supermercado, mas cuidado sê rápido tem o Geld p’parado, se te atrasas a meter as cebolas no saco, coragem vais passar a viver sem um braço, depender da tua Mãe não é vergonha é um estado, temporário transitório ficaste sem ordenado, é verdade o teu sorriso não te paga a renda, e os teus anos já passaram não vais ter nenhuma prenda, será que és culpado ou só mais um sacrificado? A coisa estará feia ou será só para o teu lado? Estás perdido no caminho não encontras o sentido, quem te dera ter nascido sem o futuro de mendigo, um dia bom para o Austríaco tem 1 grau positivo, o Sol vem ao meio-dia para eles assim é bonito, esquece a vida de mendigo só há 3 dias de Verão, não há um sem-abrigo ainda com essa ilusão, o quebab é o que te vale mas não enche um português, habituado ao Bacalhau à Brás da dona Inês, sem emprego sem ninguém bates à porta de quem? Sempre podes corer para o colo da tua Mãe, mais um futuro excitante que acabou nesse instante, tens de ter paciência chorar é desgastante, é de certo um imprevisto não estavas à espera disto, mas a língua não se empresta e Portugal é o que te resta, faz as malas emigrante tu não falas fluente, neste mundo civilizado quem te dá a mão mente, posso até estar a ser um bocado demente, se calhar só tive azar com toda aquela gente.

Às cinco da manhã levei um tiro no peito, abri a porta e lá tavas tu de corpo feito, disseste-o com rosas mas  senti cada espinho, gelou o meu corpo essa merda de baton no colarinho, desde o nosso encontro que as olheiras são só minhas, visto-as de noite e não as tiro de dia, fazer queixinhas de longe me alivia, e contar carneiros é de muito pouca serventia na minha mente, não faltas tu ao compromisso, bates-me no pensamento como um relógio suíço, na solidão da noite lá apareces tu fluorescente e o alarme soa, no meu peito já desfeito às noites em branco, seguem-se dias bem escuros em que não penso noutra coisa
senão em dar-te murros, brincaste com o meu corpo e eu gostei da brincadeira, passaste-me foi a ferro e em plena passadeira, a culpa foi minha porque fui a toda a velocidade, fiz curvas e contra curvas na tua imaturidade, acabei por me espetar nos teus olhos castanhos, que afinal não tinham porra de encantos tamanhos, o silêncio da noite grita todas as frases não ditas, todas as vírgulas e os pontos e também as tuas fitas, a verdade é que tu foste uma grande armadilha, não sei como pensei que fosses o homem-maravilha, onde fui eu buscar que tinhas alguma magia, agora só me provocas uma tal de aerofagia, mas os anos passam e com eles vou aprendendo, dentro do meu peito vou por uma ou duas pilhas, estes dois meses foram tal e qual guerrilha, e eu fico sempre presa na porcaria da presilha, ou é ter com o vitinho que as horas já vão largas, vou contar carneiros enquanto tu fodes as cabras.

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