O bigode está de volta

Para dizer a verdade, nunca saíram de moda. Os famosos pelos entre a boca e o nariz da D. Joaquina de Benfica que o digam. Nasceram e tornaram-se exuberantes na altura da puberdade e agora aos 72 anos, um pouco mais fracos mas ainda compridos, já fazem tanto parte dela quanto o bigode do Salvador Dali fazia parte dele. Os dois bigodes parecem-me no entanto surreais. Este símbolo de masculinidade dos anos 40 e 50, e também de descuido feminino, entrou em queda nos anos 70, mas parece que o glamour dos atores clássicos de Hollywood está de regresso para contentamento ou arrepio de muitos. Mas para além do aspecto (insira aqui um adjetivo à sua escolha) terá também o bigode alguma utilidade? Hoje acordei a pensar nisso. Sei que os gatos usam os bigodes como instrumento sensorial para localizarem a presa. Ajudam-nos a evitar predadores, a ver melhor no escuro, e até melhora a capacidade de ouvir. Agora, melhorará também a dos homens de ouvir as mulheres, e daí o sucesso estrondoso que esta pilosidade acima dos lábios tem vindo a fazer entre elas? Será o bigode nos homens o instrumento que tanto precisavam para perceberem à primeira quando elas respondem ‘Nada’ na realidade estão a dizer ‘Foste para os copos com os teus amigos em vez de me fazeres companhia em casa quando eu estava doente’? Será também o bigode nos homens o instrumento de localização que os socorra na altura de encontrar o ponto G ou outros pontos de interrogação da mulher? Deixe crescer o seu. E quem sabe se a sua qualidade de vida não aumenta proporcionalmente aos pelos faciais? Os cuidados a ter com os bigodes até nem são muitos. Um pouco mais de sabonete ou champô na hora do banho e uma vez por semana condicionador (opcional) para tornar os bigodes um pouco mais macios. Antes das refeições é necessário alisar com os dedos os pelos para cima para evitar o contacto com resíduos alimentares, ou pentear o bigode com um pente de dentes à antiga, se necessário. E há que tomar atenção quando beber cerveja por causa da espuma. Cultivar um bigode não é para qualquer um, mas só saberá se experimentar. Muitos já o fizeram e deram-se bem. Na lista dos bigodudos constam personalidades como Freddy Mercury, Friedrich Nietzsche, Che Guevara, Clark Gable, Frank Zappa, Albert Einstein, Charles Chaplin. A certa altura todos os Beatles também bigodaram, a Frida Khalo sempre usou bigode, se bem que no sítio errado, o Brad Pitt aderiu recentemente e até o Justin Bieber fez questão de nos relembrar que ainda é um miudinho exibindo o seu ralo não-bigode. Nos anos 60, o Martin Luther King Jr e o seu bigode também tiveram um sonho. O sonho de que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia, os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos proprietários de escravos pudessem ter todos eles o seu próprio bigode imponente e se sentassem à mesma mesa para os alisar em conjunto. Pense nisso. Deixe crescer um e veja como se sente. Raspar ou não raspar, diria também Shakespeare ao alisar o seu bigode.

Autor: Zufia

Blogger, copywriter, cabin crew, wanna-be translator, wanna-be screenwriter, wanna-be singer, wanna-be psychologist, very nice person but clearly suffering from alternating attention.

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