Sorria, você está na Bahia

Capital da Bahia, a cidade de Salvador foi fundada em 1501 e recebeu o nome de S. Salvador da Bahia de Todos-os-Santos. Foi um dos portos mais movimentados e a primeira capital do Brasil, na altura colónia portuguesa. É a cidade mais negra do Brasil, até mesmo chamada de Roma Negra, com a maior comunidade de afro-descendentes do mundo, fora de África. O legado está à vista nos bairros históricos, com música de fundo de tambores e berimbaus, jovens a fazer capoeira e as baianas com as suas vestes brancas e sorrisos largos a preparar o acarajé. Na língua africana ioruba, akará significa bola de fogo e jé, comer. Coma então uma bola de fogo, sugiro. O ofício da baiana é tão relevante na cultura da Bahia que foi declarado em 2004 Património Histórico Nacional. É também considerado santificado, esta oferenda que se faz aos Orixás, as divindades do Candomblé – religião de raízes essas também africanas. Salvador tem uma barraquinha em cada esquina onde pode petiscar esta delícia à base de feijão fradinho, camarão seco e vatapá, mas para experimentar os acarajés das baianas mais famosas tem de ir ao bairro do Rio Vermelho. No Largo de Santana, Dinha, Regina e Cira deleitam turistas, boémios e artistas esfomeados.
História, fé, natureza e muita diversão: é assim Salvador. Mas nenhum outro lugar espelha tão bem a alma da Bahia quanto o bairro histórico do Pelourinho, na cidade alta. Considerado Património da Humanidade pela Unesco, tem mais de 700 mansões dos séculos XVII e XVIII. Becos, descidas, subidas, e largos reúnem museus, igrejas, restaurantes, lojinhas e um corrupio de gente: de soteropolitanos, mas também do resto do Brasil e do mundo. Às terças-feiras há missa ao som de batuque na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, às 18h. A Rua de Santo António além do Carmo é ideal para apreciar o sol a dizer boa-noite na Baía de Todos os Santos, do alto de uma qualquer pousada colorida ou de um dos cafezinhos com esplanada. Qualquer foto que tirar no Pelourinho o transformará ainda em fotógrafo profissional; a beleza é inegável e tem inspirado músicos como Caetano Veloso e Michael Jackson. Pode passear entre a cidade alta e a cidade baixa facilmente e historicamente no Elevador Lacerda, uma das balizas da capital baiana de 1872. As viagens duram 30 segundos, com uma média de 19 mil pessoas por dia. Não leve joias ou relógios para o elevador, porque é certo que desaparecem. A minha avó que o diga.

Para além das muitas igrejas e casões no Pelourinho, do bulício das ruas, dos mexericos dos baianos, e do picante acarajé no Rio Vermelho, aconselho também uma paragem para a compra das fitinhas no Bonfim. A igreja do Senhor do Bonfim é a mais tradicional de Salvador. Bom presente para os familiares e amigos quando voltar de férias é então a fita colorida do Bonfim. Também é conhecida como medida, porque tem 47 cm – o comprimento do braço direito da estátua de Cristo no altar-mor. Os crentes, e eu quando lá fui, amarram uma fita nas grades ou no pulso com duas voltas e dão três nós para três pedidos, que dizem se materializar quando a fita cai. Como demorou muito tempo a cair, acabei por me esquecer dos pedidos que fiz. Anotem.

Às margens da Baía de Todos-os-Santos fica o chamado Solar do Unhão que inclui o Museu de Arte Moderna da Bahia, e reúne mais de duas mil obras de pintores brasileiros. Construído no século XVII, o solar ganhou há uns anos um restaurante, o Solar Café, com mesas ao ar livre e que fica bem animado ao Sábado ao som de jazz com sotaque baiano, num pôr-do-sol inesquecível.
A cidade de Salvador é tão variada que até tem uma praia histórica. Isso mesmo, foi na praia do Farol da Barra que os meus tetra-tetra-tetra-tetra-tetra-avós exploradores aportaram na primeira expedição em 1501. Na maré baixa formam-se piscinas naturais, antes de jantar pode ver mais um entardecer de cortar a respiração, e à noite tem bares animados por onde escolher.
Se puder, vá a um passeio de escuna pela Baía de Todos-os-Santos: dura sete horas e passa por várias ilhas. A principal paragem é a Ilha dos Frades, para banhos, com 2 km de orla onde se disseminam barraquinhas de comidas e bebidas. A chegada coincide com o pôr-do-sol que ilumina o Mercado Modelo, o Elevador Lacerda e a cidade alta. Como vê, vai precisar de muitos dias de férias para assistir a tantos pores do sol apaixonantes em Salvador.

Se quiser conhecer as praias mais românticas do Norte, aconselho pelo menos três: a de Stella Maris, se gostar de surfar; a de Itapuã, com águas verdes e piscinas naturais; e a praia do Flamengo, enfeitada por dunas e coqueiros. Diversão e coisas para se ver e fazer não faltam em Salvador. Como os locais costumam dizer, sorria, você está na Bahia – nesta vibrante mistura de beleza, raças e crenças, onde eu tenho a honra de ter nascido e onde a alegria é a moeda de troca.

Autor: Zufia

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